sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Between Chaos and Creation

    Tudo que você vê, tudo que você sente, os lugares por onde anda, com quem você se depara, quem assalta você, quem compra o seu celular roubada, quem corre pra pegar o ônibus, quem não liga pro ataque cardíaco do vizinho, quem não tem por quem chorar, quem não tem quem chore por ele, quem pode sair por aí, quem tem que ficar em casa, quem joga o álcool, quem acende o fósforo, quem apaga a fogueira, quem se queima.
    Respirações que soltam fumaça, carruagens que transportam sinos, motos voadoras com gigantes, cometas de fogo afunilados, cicatrizes esculpidas, tatuagens amareladas, folhas marrons e céus cinzentos. Todas as sinuosidades achatadas de um mundo que concorre com si mesmo pra sobreviver. Velocidade e máquinas, coragem e imprudência, vontade e obsessão, beleza e futilidade, felicidade e alegria, tristeza e depressão, raiva e triunfo, dedos e unhas.
    Porque se o lirismo está ali, fazer sentido é redundância. Máquinas do tempo que nos levam pro passado que é o futuro repleto de de Déjà Vus, perdedores que ganham o tempo todo, vencedores que não conhecem o pódio, heróis covardes e covardes heróis, holismo parcial, juízes cegos.
    Só que tudo continua igual, o sol é o mesmo, os átomos no universo também, dias longos e anos curtos, e as respirações que não soltam fumaça e não puxam mais ar.

Porque em inglês é tudo mais fácil


Like a river that can fly
Like a bird that just swin
Like a dancer that can paint
Like a lover that can hate

You keep going on
But it's because you can't come back
Home, home, home, home

Don't cheat yourself
Your dreams will never come true
Unless they depends only of you
And if you're a lucky man

Keep you on the under
Up to the thunder
Go to the light
Fight to fly
Run and run again

There is no hope
In that stupid land

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Não Corra para a Luz, Abstração Conceitual que Anda por aí Fingindo ser um Fantasma

    'Cause I don't think you're special, I don't think you're cool!
    A frase não teve o impacto desejado (mas que frase boa era aquela!), não houve risadas sinceras pr'aquela piada, o que dura para sempre (nada) acabou (sim, o que era nada - apesar de dizerem por aí que nada dura para sempre - acabou e se tornou menos do que isso - pra se ser nada, tem que se ter o conceito do que seria ser, e quando esse se perde, não é que não seja nada, simplesmente, não se é), a filosofia não teve seguidores, não houve votos suficientes na eleição, não havia cargos para os quais se candidatar, e todos caímos num loop infinito em que vamos e voltamos sem sair do lugar e chegamos enfim a uma grande epifânia que não nos revela absolutamente nada, apenas que não é possível. O que não é possível? Pra que querer saber, se não é possível que aconteça?
    E as rodas dos carros continuam rodando, assim como as das bicicletas, os bebês continuam nascendo, os cometas continuam cortando o espaço sideral, as estrelas regredindo em buracos negros hiperdensos que absorvem para si até mesmo a luz (alguém mais conhece pessoas assim?), os árabes continuam em guerras, todos inconscientes dos eventos conspiratórios que governam os tons de cinzas das nuvens que farão chover, metaforica e literalmente falando, os pingos grossos de chuva ácida sobre as nossas cabeças.
    E não importa o quão rápido se corra, nem todos foram feitos pra ganhar a maratona. Não importa quantos drinks você tome, quantos cigarros você fume, nem sempre a sua consciência vai sair por aí pra passear enquanto você se diverte (esquece). Você pode até descontar sua raiva nos outros, mas nem sempre isso vai fazer você perder a fome.
    Estamos todos perdidos, indo e voltando para os mesmos lugares, buscando as coisas que perdemos quando a lua atraiu demais a terra e a órbita elíptica foi de tal forma alterada que viramos de cabeça pra baixo e o que estava em nossos bolsos foi parar em nossos bolsos, mas em calças diferentes.
   É permitido se entediar lendo seu livro preferido.
   Trazer a autorização para viver devidamente assinada, do contrário se tornará um ser humano. Enfim.

sábado, 7 de maio de 2011

Rico x Pobre com Dinheiro

    Existe uma diferença tênue entre essas duas espécimes de seres humanos, reparem só:
    Situação 1: Viagens Internacionais
    Ricos - República Tcheca, Londres, lugares em que existe história.
    Pobre com Dinheiro - Patagônia ("eskiar na neve"), Cancum, Miami e todos esses outros lugares que têm praia.
    Sério, eu acho o cúmulo uma pessoa ter grana pra viajar pra onde quiser - meu sonho é ter grana pra viajar pra onde eu quiser - e disperdiçar indo pra lugares só porque têm PRAIA! Pra ir em praia, no Brasil tem várias, mais bonitas que a desses outros lugares, você economiza e ainda gera riqueza pro seu próprio país, olha que beleza!  Ao invés de irem buscar alguma coisa que não tem aqui, como cultura - não que o Brasil não tenha cultura nenhuma, mas o legal é conhecer culturas diferentes da nossa.
    Situação 2: Música
    Tem coisa pior do que ouvir música ruim? Em festa pra dançar, eu até entendo. Mas pra ouvir normalmente? Encontrar gente com bom gosto nesse aspecto anda quase impossível. Quando encontrar alguém, vai dizendo logo: "Abençoa e multiplica, senhor", porque não tem nada pior do que ver um carrão com o som topado tocando Reginaldo Rossi. 
     Situação 3: A Última Flor do Láscio
     Coisa pior do que aquelas mensages que colam em vidros traseiros de carros, só mensagens com erros de português bizarros que colam em vidros traseiros de carros legais. Certa feita estava eu viajando com meus pais, voltando de Alagoas, no caminho pra Aracaju (até que tenho saudade desse tempo que vivia viajando de Alagoas pra Sergipe), e nos deparamos com a seguinte frase no vidro de um Crossfox: "Foi Deus quem mim deu". Sim, nessa grafia. Que bom que Deus te deu esse carro - não que um Crossfox seja algo que faça ninguém babar, mas bem que eu queria um rs -, pena que ele não te deu umas aulas de português também :(. 
     Bom, na hora desse incidente bizarro eu comecei a rir, mas aí meu pai falou uma coisa que me fez pensar "É, você sabe escrever do jeito certo, mas não tem um carro". Me senti um lixo. Como uma pessoa que baseia suas pseudo-conquistas materais à uma entidade divina cuja existência é extremamente questionável e que é funcionalmente analfabeta pode estar numa situação financeiramente mais favorável do que eu, ser pensante e que mesmo que não tenha o português perfeito pelo menos sabe que mim não dá nada pra ninguém? É, cara, a meritocracia nesse país não tá com nada! (Fugi totalmente do assunto, mas né)
     Situação 3: Senso Crítico
     Esse pessoal que faturou com alguma coisa por agora não tá ligado em nada, compram as revistas só pra folhear as figuras, têm um lado político mas não sabem nem ao menos diferenciar esquerda de direita [tanto no sentido político como no literal, é capaz de só saberem qual é o lado direito quando testam "qual mão usa pra escrever"] e por aí vai. Apesar de não serem mais tecnicamente da 'massa', ainda são facilmente manipuláveis. 
     Situação 4: Currículo Lattes
     Sério, acho que quando eu tiver meu cadastro lá - e ele tiver mais do que dados pessoais kkkk - eu vou ser a pessoa mais feliz do universo: mesmo que eu não tenha um centavo furado no bolso, eu vou me sentir a pessoa mais rica do mundo porque finalmente eu vou ter feito alguma coisa boa para a sociedade, mesmo que de forma indireta, contribuindo para o desenvolvimente científico humano kkkkk. Enquanto essa galera aí nem sabe  que é isso, só termina o ensino médio e se auto-intitulam doutores sem nem ao menos saberem o que é um doutorado.

domingo, 1 de maio de 2011

Os Cults de 13 Anos

Pseudum intelectus

    A heterogeneidade das pessoas hoje em dia é incrível. Todos escutam o que a mídia manda escutarem, agem da mesma forma, condenam quem difere um dedinho da linha, são insuportáveis e abdicam da dádiva de usar seus respectivos cérebros sempre que seguir os outros é possível. Mas quando estão na internet, tudo muda. 
    Todos são como uma brisa, não perdem a glória de chorar, têm idéias revolucionárias que irão mudar o mundo. São todos fãs de Clarice Lispector - um ou outro leu A Hora da Estrela, o resto só copiou a filosofia do 'Quem Sou Eu' do Orkut de algum desconhecido -, Caio Fernando Abreu [boa: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=155452], ouvem Nando Reis, Los Hermanos, The Beatles (é minha banda preferida, mas tem uma legião de 'fãs' que...), são Trotskistas e têm uma camisa do Che Guevara. Seres de uma enorme complexidade interna, cujas idéias poderiam ser transformadas em um belo filme, uma película densa e vísceral, que levaria multidões às lágrimas.
   Mas essas mesmas pessoas engrossam as fileiras que seguem o trio elétrico de axé, dos que aprendem a coreografia dessas poesias que surgem anualmente com o carnaval, e dos que chamam de estranho quem prefere sentar e ler um livro de fantasia do que ir pra roda de pagode sagrada dos sábados.
   Eu até acho legal as citações que as pessoas usam pra se descrever, mas elas não se aplicam em 95% dos casos. Seria ótimo se aplicassem as idéias comunistas revolucionárias de verdade - eu até tenho as minhas, mas é sabido por todos que eu prefiro ficar em casa assistindo Chaves do que sair por aí mudando o mundo, e que a minha camisa do Che Guevara na verdade tem uma foto do Seu Madruga. As músicas que eles escutam não são ruins de uma forma geral, mas eles não as ouvem porque gostam delas - como alguém pode gostar de Time - Pink Floyd e ao mesmo tempo se jogar com Meteoro da Paixão?
      E aí a gente não quer nem saber. "Os misantropos expressam uma antipatia geral para com a humanidade e a sociedade, mas geralmente têm relações normais com indivíduos específicos (familiares, amigos, companheiros, por exemplo). A misantropia pode ser motivada por sentimentos de isolamento ou alienação social, ou simplesmente desprezo pelas características prevalecentes da humanidade/sociedade". 
    E assim caminha a humanidade, com uma frase de paz do Papa João Paulo II na ponta da língua mas a epifania que não sai da mente: "Se me odeia, deita na BR".

sábado, 30 de abril de 2011

Frívolos

    Quando a manchete do dia é um casamento, alguma coisa está errada. As pessoas acordam, caminham, falam, caminham, falam, falam, falam, caminham, dormem e acordam para um novo ciclo. No meio desses ciclos que duram em média uns 70 anos (se você não viver na Etiópia onde não existe nada ou for algum rockeiro foda que sempre morre com 27 anos), algumas coisas importantes acontecem. O casamento de outra pessoa que você não conhece, por exemplo, não é uma delas. Mas todos não podem perder um único detalhe porque... porque... porque somos pessoas desocupadas e fúteis.
   Em algum ponto da evolução, os seres humanos desenvolveram a desagradável habilidade de falar. A única utilidade dessa função que não seria facilmente substituída pela escrita é a sua função como unidade de medida na minha vida - o "falômetro". Pra mim, a felicidade do meu dia é inversamente proporcional ao número de palavras que eu falo - pois essas se destinam à responder algo que alguém veio me perguntar (iniciar uma conversa eu mesmo é quase um pecado). Isso porque de uma habilidade que é 80% inútil e desenvolvida por pessoas desocupadas e fúteis, nada que preste vai surgir.
    E as conversas das pessoas girando em torno de casamentos idiotas, jogos idiotas, sapatos idiotas, atestados de óbitos idiotas, e por aí vai. Obviamente, se o seu tímpano apresenta surdez seletiva e você não participa delas, você é o estranho, o antissocial, o futuro psicopata. Só o que consola os seres pensantes da atualidade é o fato passarmos 1/3 da nossa vida dormindo.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Regret

    A vida é feita de escolhas. Nobel pro gênio que inventou essa frase, né? Não. Mas então, claro, ao menos que a sua escolha tenha sido largar a faculdade de administração em Harvard e fundar a Microsoft e virar o cara mais rico do mundo, você pode se arrepender ocasionalmente. É o que acontece comigo todos os dias.
   Se eu levanto logo que acordo, me arrependo de não ter dormido mais vinte minutos porque em 80% das vezes eu sou a única pessoa que não se atrasa pros meus compromissos então eu chego lá cedo e tenho que ficar esperando, sendo que poderia ter dormido mais. Obviamente, se eu resolvo dormir os 20 minutos, aí temos as 20% das vezes em que todo mundo chega na hora, menos eu, e claro, me arrependo de não ter levantado logo.
    E a gente tem que escolher as coisas tão cedo na nossa vida. Você tem que escolher onde vai sentar no primeiro dia de aula, e há grande chance de os seus amigos dos anos seguintes dependerem dessa escolha porque geralmente eles são os que acabaram sentando do seu lado. Você tem que escolher se vai querer pastel ou cochinha no lanche daquela tarde, e isso pode lhe dar alguns minutos de satisfação ou uma infecção intestinal seguida de colostomia e morte.
    Você tem que escolher se você prefere o Paul McCartney ou o John Lennon ou se você vai ouvir Parangolé mesmo e ajudar a destruir o mundo, enfim. E você tem que arcar com as conseqüências e olhar pra trás e se arrepender, porque você poderia ter sentado do lado das pessoas que foram pra NASA, você poderia ter dormido mais pra não cochilar na aula de metodologia científica, você poderia ter comido pastel de queijo VOCÊ PODERIA TER FEITO OUTRA FACULDADE E ESTAR EM CASA BEBENDO VODKA E COMENDO A COMIDA DA SUA MÃE, você poderia ter poder falar bem da carreira solo do john lennon [você estaria mentindo para si mesmo, mas isso não vem ao caso]. Você poderia.  
     Mas você não o fez, então, se você não fundou a Microsoft, vá estudar que a vida não tá fácil pra ninguém, não, Josué.